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Ivan Búnin

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Ivan Alekséievitch Búnin nasceu em 10 de outubro de 1870 em Vorônej no seio de uma família aristocrática constituída a partir da emancipação dos trabalhadores e da crescente industrialização do seu país. Todos seus antepassados, tanto por parte de mãe como por parte de pai, haviam sido grandes proprietários de terras na Rússia Central. Seu pai era descendente da mais alta nobreza; sua origem remonta muito além do século XV e entre seus ínclitos ascendentes se contavam escritores tão importantes como Vasili Zhukovski ou Anna Búnina.
Ivan Búnin passou sua infância na casa paterna de Vorônej, rodeado dos cuidados de uma criança de alta classe. Mas pai não se destacava precisamente devido às suas inquietações espirituais ou intelectuais e sim pelo alto consumo de bebidas e sua paixão por jogos de azar; sua mãe, entretanto, muito superior a ele, moral, cultural e religiosamente, amava a poesia e foi sempre carinhosa com seus filhos.
Três anos depois do nascimento de Ivan, a família Búni…

Boletim Letras 360º #241

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Nesta semana, na página do Facebook do Letras, iniciamos uma nova promoção. O sorteio é realizado no dia 29 de outubro. Um ganhador. E dois títulos: Zero K, o novo romance do estadunidense Don DeLillo; e A família Manzoni, da italiana Natalia Ginzburg. As escolhas foram realizadas pelos próprios leitores do blog que nos acompanham no Instagram a partir de uma lista com alguns livros que ainda iremos ler neste restante de 2017. Para saber mais, divulgar e participar, clica aqui.



Domingo, 16/10
>>> Estados Unidos: Morreu o poeta Richard Wilbur
A morte foi confirmada por seu filho Christopher; foi no sábado, 14 de out., em Belmont, Massachusetts. O poeta tinha 96 anos. Ao longo de mais de 60 anos foi aclamado como uma das mais importantes vozes da poesia estadunidense contemporânea. Wilbur seguiu uma musa que valorizava o virtuosismo tradicional sobre a auto-dramatização; por isso, ele muitas vezes se viu fora de listas nas quais as autoridades literárias preferiam o calor de art…

Onze livros sobre escravidão e racismo na literatura estadunidense

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Em 2016 Colson Whitehead se tornou uma das surpresas literárias nos Estados Unidos. Com o livro Os caminhos para a liberdade conseguiu o Prêmio Pulitzer e o National Book Award, rara façanha, e todo mundo só falava sobre a obra e o seu autor. A narrativa aborda um assunto muito recorrente na literatura estadunidense (e muito ao gosto dos prêmios): a época da escravidão.
Mas, Whitehead incorpora algo mais ao enredo: a narrativa se apoia na metáfora da rede de caminhos que possibilitaram a fuga dos escravos das plantações do sul. Daí, os galardões e a consideração da crítica de que sua obra é uma das importantes desta década. Os caminhos para a liberdade foi publicado no Brasil pela Harper Collins. 
Desde romances como os clássicos A cabana do Pai Tomás ou Negras raízes, a temática dos escravos estadunidenses e o racismo está no coração literário daquele país. Mas, talvez porque saídos do mandato de Barak Obama, talvez porque agora governa os Estados Unidos um inimigo racista ou talv…

História da menina perdida, de Elena Ferrante

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Por Pedro Fernandes


A leitura integral dos romances de Elena Ferrante levará o leitor a uma compreensão de que sua literatura prima pelo desconcerto da existência. E a extensa história das amigas Lena e Lila, faces dicotômicas – no sentido não de mera oposição mas de posições e perspectivas distintas entretanto marcadas pela interrelação entre uma e outra –, atesta essa compreensão. História da menina perdida, o ponto final de um romance cujo interesse é oferecer um panorama acerca de Nápoles à maneira do que outros escritores do realismo e do naturalismo fizeram de suas cidades (embora a própria narradora encerre acreditando-se incapaz de ter alcançado essa possibilidade), é a confirmação sobre o grande desencontro entre o sujeito e o mundo. A vida é um mover-se e não importa a maneira como o fazemos, se nos apegamos às nossas raízes e lutamos para reverter os lugares comuns ou se esquecemos delas numa espécie de fuga do destino, estaremos reduzidos sempre à mesma e dispersa incógnit…

O último a morrer que apague a luz

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Por Toni García Ramón


O mais surpreendente das reações ao fabuloso O conto da aia (Handmaid’s tale em sua versão original) é a majoritária impressão de que nos encontramos ante uma distopia. “Estamos muito próximos”, dizem alguns/algumas, do regime de Gliead, essa ditadura cristã e teocrática, em que as mulheres são tratadas como meros objetos a serviço de um poder supostamente superior. Elas não podem possuir bens, ler ou escrever. Ou pelo menos algumas delas. As mulheres dos altos gerenciadores vivem num mundo distinto, igualmente obscuro mas com um elemento mais permissivo.
E a reação é surpreendente porque Somália, Síria, Arábia Saudita ou Irã já colocaram em prática muitas das políticas que nos parecem meio ficção científica quando vemos a série, mas que não nos provocam nem uma lembrança, ainda que cintilante, no dia a dia do mundo atual. Essa é provavelmente a parte mais terrível do horror que desenha esta série produzida por Hulu a partir do romance de mesmo título da escrito…